São José do Rio Preto

Rio Preto será palco do maior evento da cadeia produtiva da borracha natural no Brasil

10º Ciclo de Palestras sobre a Heveicultura Paulista acontece nos dias 24 e 25/11

Nos últimos anos, o preço da borracha natural provocou a erradicação de seringais, viveiros e áreas experimentais por pura falta de perspectivas. Mesmo assim, no Noroeste Paulista, os produtores de borracha iniciaram a nova safra com fôlego renovado. As chuvas de julho e agosto, somadas ao aumento da taxa de importação de borracha natural, de 4% para 14%, deram ânimo novo aos produtores que acreditam numa retomada gradual dos negócios.

Segundo Wanderley Sant’Anna, presidente da Apabor – Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha, a expectativa do setor para o final de 2016, é a subida dos preços no Brasil. “Os preços internacionais do produto vêm subindo, primeiro pela redução dos estoques mundiais na entressafra asiática e, agora, pelo aumento da demanda chinesa, que lançou uma política de incentivo para o setor automobilístico”. Sant’Anna lembra ainda, que o dólar continua subindo graças ao ‘efeito Trump’. “Com isso, é esperado que o preço da borracha brasileira tenha um aumento de cerca de 13,6% para o bimestre dezembro-janeiro”, explica o presidente.

O mercado da borracha natural e a expectativa para 2017 é um dos assuntos a serem discutidos no 10º Ciclo de Palestras sobre a Heveicultura Paulista, promovido pela Apabor nos dias 24 e 25 de novembro, em São José do Rio Preto (SP). Considerado o maior evento da cadeia produtiva da borracha natural no Brasil, o objetivo é difundir a cultura da seringueira e criar um ambiente de troca e compartilhamento de informações e experiências.

Programação

Realizado desde 1998, o Ciclo de Palestras é considerado uma referência para todo o setor e reúne heveicultores, agricultores, técnicos, engenheiros agrônomos e florestais, pesquisadores, empresários e estudantes. Por isso, congrega uma programação variada. “Nessa edição, além das palestras que contemplam todas as etapas da produção, teremos uma novidade”, adianta Sant’Anna. “Vamos contar com painéis de discussão ao final de cada dia, um momento para trocar ideias e ouvir especialistas acerca do setor e da questão da parceria rural”.

No Painel do Trabalho, a discussão será conduzida pelo juiz Dr. Helio Grasseli e pelo desembargador, Dr. José Antonio Pancotti. Outro destaque são os pesquisadores convidados da Embrapa, Maria Alice Martins, que falará sobre a qualidade do látex e da borracha natural, e Paulo de Souza Gonçalves, que abordará o tema ‘Clones IAC: solução em produtividade’. “A missão da Apabor é promover a expansão da heveicultura, e esse evento reafirma o nosso trabalho”, afirma o presidente.

A saúde do seringal será abordada em duas palestras com os convidados Cássio Scomparin, da Planthec Florestal, e Ondino Cleante Bataglia, da Conplant. E outra novidade: Maria Thereza Rezende, do Projeto Terra do Leite, vai abordar a questão do relacionamento no campo.

Durante o Ciclo de Palestras, os participantes poderão visitar também a 2ª Feira do Agronegócio da Borracha, uma exposição de produtos e serviços de parceiros do evento. Este ano, o evento será realizado na Universidade Paulista – UNIP.

Números do setor

A produção de borracha natural no Brasil, hoje, é de 192,5 mil toneladas, para um consumo aparente de 409,2 mil toneladas. Esse número responde por cerca de 1,5% da produção mundial. Para se ter uma ideia do porte dos principais países produtores, a Tailândia produz cerca de 4,5 milhões de toneladas, seguido da Indonésia, com 3,2 milhões de toneladas, e do Vietnã, com 1,0 milhão de toneladas.

A região noroeste de São Paulo, onde está localizada São José do Rio Preto, é considerada a capital nacional da borracha, e responde por 56,8% da produção nacional, seguida pela Bahia (14,9%), Minas Gerais (7,4%), Mato Grosso (7,4%) e Goiás (5,6%). Os dados são do IBGE, do ano de 2015. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, estima-se que o Estado de São Paulo possua 5,5 mil heveicultores. Só na região de Rio Preto, são 13,9 milhões de árvores, correspondentes a 29,5% do total do Estado de São Paulo.

Expectativa

Segundo a Apabor, o segmento produtor espera que 2017 seja um ano melhor, com preços melhores no campo e também um clima mais favorável para se alcançar boas produtividades. O Estado do Espírito Santo, por exemplo, tem sofrido com a seca nos últimos dois anos, o que traz reflexos sobre a produtividade da seringueira e, consequentemente, sobre o custo de produção. “Existe a expectativa de que os estoques mundiais sejam menores para impulsionar firmemente os preços mais para cima, tornando a cultura muito mais atrativa e provocando assim a retomada dos plantios no Brasil”, conclui o presidente da Associação.

SERVIÇO

10º Ciclo de Palestras sobre a Heveicultura Paulista
2ª Feira do Agronegócio da Borracha

• Local: Univ. Paulista – UNIP (Av Presidente Juscelino K. de Oliveira, s/n, Jardim Tarraf II)
• Data: 24 e 25 de novembro
• Horário: das 8 às 18 horas

Da Redação
Foto – Divulgação/Arquivo NM

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