Tecnologia

Crimes virtuais: saiba como se protejer

Estelionato, furtos mediante a fraude bancária e pedofilia lideram as estatística de crimes on-line. 

É fato que a internet possibilitou uma série de mudanças na sociedade, desde a maneira de conseguir mais conhecimento até a quebra de paradigmas e barreiras, da comunicação principalmente no sentido de obter informações. Todos os dias recebemos e enviamos mensagem e o mais importante: conhecemos pessoas com o advento das redes sociais, mas é preciso ter cuidado para não acabar caindo em golpes ou colocar sua segurança em risco.

O Notícia da Manhã conversou com o investigador Adonis Tarcio, que possui graduações em matemática, análise de sistemas e diversos cursos em segurança da informação. O especialista explicou o que são considerados crimes virtuais. “São delitos praticados através da internet que podem ser enquadrados no Código Penal Brasileiro resultando em punições como pagamento de indenização ou prisão. Os crimes digitais são cada vez mais comuns porque as pessoas cultivam a sensação de que o ambiente virtual é uma terra sem leis. A falta de denúncias também incentiva fortemente o crescimento dos números de golpes virtuais e violência digital (como o cyberbullying)”.

Quando o computador é utilizado como uma ferramenta para a prática de crimes digitais, esses são enquadrados no código pena brasileiro e os agressores e golpistas são punidos da mesma forma. De acordo com Adonis, várias condutas criminosas na rede podem ser enquadradas no âmbito penal, como:

  • Crimes contra a honra (arts. 138,139 e 140 do CP);
  • Crime de ameaça (art. 147 do CP);
  • Furto (art. 155 do CP);
  • Extorsão (art. 158 do CP);
  • Extorsão Indireta (art. 160 do CP);
  • Apropriação indébita (art. 168 do CP);
  • Estelionato (art. 171 do CP);
  • Violação de direito autoral (art. 184 do CP);
  • Escárnio por motivo de religião (art. 208 do CP);
  • Favorecimento da prostituição (art. 228 do CP);
  • Ato obsceno (art.233 do CP);
  • Escrito ou objeto obsceno (art. 234 do CP);
  • Incitação ao crime (art. 286 do CP);
  • Apologia de crime ou criminoso (art. 287 do CP);
  • Pedofilia (art. 241 da Lei 8.069/90);
  • Crime de divulgação do nazismo (art. 20º §2º. da Lei 7.716/89).

Crimes mais comuns

O investigador frisou que os crimes mais comuns praticados por meio da internet, são crimes contra a honra, ameaça, extorsão, estelionato, ato obsceno, incitação ao crime, apologia ao crime e pedofilia. “As estatísticas também alertam para o número maior de registros feitos por mulheres. Dos registros feitos cerca de 46% deles trazem mulheres como vítimas. Os outros 54% são de homens e pessoas jurídicas” frisou Adonis. Além de ocorrências do tipo, estelionato, furtos mediante a fraude bancária e pedofilia lideram as estatísticas.

Problemas com compras on-line 

Compras feitas em sites não confiáveis e portais de leilão lideram a lista ocorrências de crimes enquadrados como estelionato na internet. Quando a pessoa contra o produto mas não o recebem, ou transferências bancárias ou fornecimento de dados ao criminoso. Furtos mediante fraudes bancárias, muitias vezes interligadas a estelionatos, estão em terceiro lugar de crimes mais cometidos na rede.

Como se proteger?

Adonis alertou que em hipótese algum deve-se ficar calado. A denuncia tem que ser feita. “Se você caiu, mesmo sem querer, em qualquer golpe pela web, ou mesmo foi vítima de qualquer situação desfavorável em uma rede social, lembre-se há leis que amparam a sua situação. Muitas pessoas também são chantageadas por pessoas, no geral, conhecidos, ex-namorados, ex-maridos com a divulgação de fotos íntimas na rede, saiba que, mesmo que a divulgação não seja feita, o crime está estabelecido, então, o melhor é denunciar. O primeiro passo, após ser vítima de qualquer crime virtual, seja qual for a modalidade, é procurar uma Delegacia Especializada em Crimes Eletrônicos. Caso não exista em sua cidade, a denúncia pode ser feita em qualquer outra Delegacia. Após, o ideal é procurar um advogado especializado em Direito Digital, para que o profissional possa guiar da melhor forma a vítima desse tipo de crime”, alertou.

Em Catanduva o índice de crimes virtuais, denunciados, não é tão alto. Na maioria das vezes as vítimas são mulheres e também casos de estelionatos. O investigador relatou que muitas pessoas pensam que a justiça não vai tomar providências, porém a justiça brasileira vem contribuindo cada vez mais com investigações.

Em caso de cidades que não possuem delegacias especializadas em investigações de crimes eletrônicos, as vpitimas podem se dirigir a qualquer delegacia. Outra maneira de denunciar é por e-mail, para o seguintes endereços:

webpol@policia-civ.sp.gov.br – Polícia paulista especializada em crimes digitais.

crime.internet@dpf.gov.br – Mensagens que se refiram aos crimes de internet devem ser reportadas ao novo canal centralizador dessas denúncias na Divisão de Comunicação Social da Polícia Federal

Ou contato por meio dos sites:

Humanize Redes – Denuncie mensagens preconceituosas, racistas, xenófobas e que violem os Direitos Humanos.

Digi Denúncias  –  Canal para denúncias de crimes eletrônicos do Ministério Público.

Safernet – Organização não governamental que reúne especialistas para combater crimes digitais. Denuncie crimes como Pornografia Infantil, Racismo, Xenofobia e Intolerância religiosa, Neonazismo, Apologia e Incitação a crimes contra a Vida, Homofobia, Apologia e Incitação a práticas cruéis contra animais e tráfico de pessoas.

ReclameAqui.com.br – Site para quem costuma fazer compras em e-commerce ou utiliza serviços pela internet. É um portal excelente para sanar dúvidas, fazer reclamações ou pesquisar a reputação de empresas.

ic3.gov – Site para denunciar crimes digitais internacionais.

 

 

 

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